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Nosso grupo se propõe a fazer uma análise crítica e reflexiva sobre a principal obra de Neil Postman.

Caso queira colaborar com críticas e sugestões referentes ao pensamento e à obra Postman, basta enviar e-mail para helio@fepesmig.br

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  Conclusão

" A única vantagem sustentável que uma empresa tem é aquilo que ela coletivamente sabe, aliado à eficiência com que ela usa esse conhecimento e a prontidão com que ela o adquire ". Thomas H.Davenpont e Laurence Pruzac em Conhecimento Empresarial.

Antes de iniciar esta conclusão, fiz uma profunda reflexão nos conceitos de Neil Postman, sobre Tecnopólio, onde cita o autor que "Tecnopólio é um estado de cultura. Também é um estado de mente. (...) Também pensam que a informação é uma benção pura, que sua produção contínua e não controlada e sua disseminação oferece mais liberdade, criatividade e paz de espírito."

Esta doença, segundo o autor, gerada pela insuficiência das instituições sociais na gerência das informações circulantes, ocasionam "um colapso geral da tranqüilidade psíquica e do propósito social".

Analisando estas reflexões, pensei : estou doente! Não que eu tenha me rendido "incondicionalmente" à tecnologia, mas à utilizo para minha aquisição do conhecimento. Ela me dá liberdade de criar e fazer com que, cada vez mais, encontre meios que me auxiliem em termos de crescimento pessoal e profissional.

Para compor este texto, consultei antes alguns autores, como Lèvy (As Tecnologias da Inteligência), Negroponte (Vida Digital), Harvey (A Condição Pós-moderna) autores estes, que fizeram parte de nosso módulo anterior e que agora podem nos dar algum subsídio, para nos ajudar a entender e debater as idéias de Postman.

Pensei: o tão esperado mestrado no qual estamos participando, só foi possível devido aos recursos tecnológicos (videoconferência, internet, etc). Através da tecnologia estamos tendo a oportunidade acessar vários textos, artigos, opiniões, troca de mensagens, enfim, uma infinidade de informações sem mecanismos de regulação. Cabe a nós discernir o que é úti para o nosso aprendizado ou não. Cabe a nós selecionarmos as informações que irão compor as nossas teses (é claro que com uma orientação - mas não considero como regulação) e darão suporte para o nosso desenvolvimento acadêmico.

Muitas das informações que estão compondo este texto também vieram da internet, sem mecanismos de controle (livres de controles ou impostos...), apesar de que alguns dirigentes de países achem importante o controle da informação na Internet, principalmente os EUA.

Gostaria de citar David Clark quando diz que: "Não é apropriado pensar em redes como conexões entre computadores. Ao invés disso, devemos pensar que conectam pessoas. As quais utilizam os computadores para facilitar a comunicação entre elas. O grande sucesso da internet não é técnico, e sim humano."

E ao consultar a Internet deparei com o site da Kidlink:

KIDLINK (ms) é uma organização de âmbito internacional, sem fins comerciais, que tem como objetivo envolver o maior número possível de jovens na faixa de até 15 anos em um diálogo global. É coordenada por educadores voluntários provenientes de vários países.

Este trabalho é desenvolvido através de 38 conferências públicas (Listas de Interesse), uma rede privada para diálogo interativo - "chat" (Kidlink IRC), e uma galeria de artes online (KidArt). 

Kidlink foi fundada por Odd de Presno, na Noruega, em 1990. Desde então, mais de 110.000 jovens de 120 países em todos os continentes têm participado dessas atividades. 

No começo participam através do correio eletrônico (e-mail), mas as Comunicações em Tempo Real (como "chats"), vários tipos de diálogo baseados na web, fax, vídeo conferência e rádio amador são também utilizados.

Kidlink tem atividades em Dinamarquês, Inglês, Francês, Alemão, Hebraico, Islandês, Italiano, Japonês, Macedônico,  Norueguês, Português, Saami, Esloveno, Espanhol, Sueco, Turco, e Línguas Nórdicas (linguagem Escandinava)

Apesar dos educadores brasileiros terem tomado conhecimento de KIDLINK em 1990, somente a partir de meados de 1995 KIDLINK começou a deslanchar, crescendo, exponencialmente, a partir de março de 1996, quando passou a ser um dos Projetos do Grupo de Trabalho de Educação à Distância do Comitê Gestor Internet Brasil, aumentando muito o número de pessoas que se interessam e se oferecem para colaborar, dando algumas horas por dia de participação. Atualmente, o Projeto KIDLINK no Brasil faz parte dos Projetos Prioritários do MCT.

O projeto piloto KIDLINK no Brasil do GT de Educação à Distância, de um modo geral e resumido, visa:

1) dar dimensão nacional no Brasil ao projeto KIDLINK;

2) dar oportunidade à crianças menos favorecidas sócio-economicamente ao conhecimento e uso dos recursos Internet;

3) estabelecer uma identidade nacional dentro da organização KIDLINK.

Atualmente contam com, aproximadamente, 50 educadores que ou coordenam atividades ou fazem parte de equipes de setores recém-criados por iniciativa e criatividade nacional, alguns abaixo descritos e atuais modelos para os demais países de KIDLINK. Os setores estão geograficamente espalhados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina, Alagoas, Brasília, Holanda, Noruega, Portugal, Angola, Rio Grande do Sul e USA.

O acesso a esta informação me fez refletir comparando a afirmação de Postman " A educação é um excelente antídoto para o caráter do tecnopólio anti-histórico, saturado de informação, adorador da tecnologia"

Reafirmo que não somos adoradores da tecnologia, mas um exemplo de um projeto como o Kidlink, permite que a informação seja compartilhada, por crianças e adolescentes (de 10 a 15 anos - além de ter um programa específico para pessoas da 3ª idade).

Considero este projeto educacional (apesar de não o conhecer detalhadamente) como um "socializador da informação", sendo que o mesmo (importante ressaltar: sem fins lucrativos), propicia através do contato humano, o contato de crianças de condições sócio-econômico-culturais diferentes e que professores tenham a oportunidade de trabalhar os seus alunos de uma forma globalizada e coordenada (mas nunca regulada).

É a informação se socializando nas bases!

Postman nos cita que " (...) um jovem que acredita que a Madonna atingiu o pináculo mais elevado da expressão musical, carece de sensibilidade para distinguir entre a ascensão e o declínio da humanidade (...) produtos das artes populares são proporcionados pela própria cultura. As escolas devem colocar à disposição os produtos das formas clássicas de arte, justamente não estão disponíveis e porque elas demandam uma ordem diferente de sensibilidade e resposta".

Não que eu goste da Madonna, mas aprecio muito outros intérpretes populares, de acordo com o meu gosto, conquistado através da minha cultura, e consigo satisfazer este gosto, através das músicas (MP3) que consigo ouvir através da Internet.

Também acesso aos sites de obras literárias clássicas como Shakespeare, ou visualizo a obra de "de Vinci" dentro do museu de Louvre em Paris, tudo isso, ao som de Guilherme Arantes, cantando, "Amanhã será um lindo dia, da mais pura alegria, que se possa imaginar..." , ou Milton Nascimento entoando uma balada bem mineira.

Temos acesso à cultura popular e clássica no mesmo instante e isso só é possível graças à "tecnologia não controlada", a tecnologia do homem confiando no homem através da máquina, da aproximação dos povos para troca de experiências e culturas, dos auxílios solidários que ocorrem através da internet, dos protestos e manifestações contra os regimes autoritários, da pornografia livre, porque existem pessoas livres que gostam e é uma forma de serem felizes com esta liberdade, enfim de toda a evolução, de todas as oportunidades que podemos obter através dela, e tudo de ruim também, porque é desta forma que conseguimos formar opiniões e adquirir conhecimentos.

Para finalizar, não podemos também, deixar de citar algumas incoerências que ocorrem em nosso meio.

Estamos participando de um mestrado com um alto nível técnico e cultural, onde a tecnologia é o meio facilitador desta aprendizagem. No entanto, o MEC, exige que se realizem provas manuscritas. Neste caso, o homem autoriza a utilização da tecnologia, mas não confia na máquina e no próprio homem.

Da mesma forma que se exige uma prova de proficiência em inglês, mas não podem ser utilizados computadores com tradutores. Pergunto: se não podemos utilizar tradutores é porque eles devem ser muito ruins. Se são ruins, não haveria problema em utilizá-los.

E se são extremamente eficazes, porque não os utilizarmos como forma de aprendizagem e conhecimento? Não seria uma forma de estarmos utilizando a tecnologia ao nosso favor? Em um futuro próximo, não existirão mecanismos de tradução automática, para todas as situações? Não quero fazer um exercício de futurologia, mas estamos em uma era onde os recursos estão disponíveis, mas as pessoas (algumas) impedem a sua utilização.

Serão estas pessoas, Combatentes da Resistência Tecnológica ? Como afirma Postman " (...) um combatente da resistência tecnológica mantém uma distância epistemológica e psíquica de qualquer tecnologia, de forma que ela sempre parece um tanto estranha, nunca inevitável, nunca natural. "

Como disse Paulo Freire: "Só os idiotas acham que a máquina deixa o professor menos importante. É justamente o contrário. Um professor apaixonado pela vida estimula a curiosidade e a curiosidade é fonte do saber"

Fernando César Moraes

02 de julho de 1999

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